Mirna Graciela
Imbituba
Com o intuito de combater o tráfico de mulheres para a exploração sexual, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sísifo. O foco principal é reprimir este tipo de delito em casas de prostituição. Muitas facilitam a entrada de mulheres de países vizinhos para trabalharem na venda de sexo.
A ação dos policiais ocorreu na madrugada de ontem, em Imbituba, onde três proprietários de boates, acusados de praticar o crime, foram presos. Os locais – uma na divisa entre Imbituba e Imaruí, outra às margens da BR-101 e a última em uma avenida, que liga a rodovia ao município – foram fechados.
Os acusados foram encaminhados à sede da Polícia Federal, em Florianópolis. O trio responderá inquérito por tráfico internacional de mulheres. Se condenados, podem cumprir até oito anos de reclusão.
As denúncias apontavam que mulheres paraguaias eram trazidas para Santa Catarina, para atuarem nestas casas noturnas. Na operação de ontem, cerca de 20 mulheres, entre elas algumas adolescentes, do país vizinho foram detidas.
Elas prestaram depoimento na sede da Polícia Federal e, depois, foram extraditadas ao seu país. O Consulado do Paraguai prestou apoio na operação. Documentos falsos e licenças vencidas para mantê-las no Brasil também foram encontrados pela polícia.
Segundo o delegado Roberto Cardoso, as investigações prosseguem com o intuito de identificar os suspeitos que aliciam as mulheres no país vizinho. A operação faz parte de um projeto piloto para combater o tráfico internacional de pessoas. Outras ações serão deflagradas em Santa Catarina.
A origem do nome da operação
Sísifo refere-se à mitologia grega e versa sobre uma pessoa conhecida por executar um trabalho rotineiro e cansativo. Tratava-se de um castigo para lhe mostrar que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Sísifo era obrigado a carregar uma pedra até o alto da montanha, mas perdia as forças e a pedra rolava morro abaixo. Por isso ele voltava a fazer o mesmo trabalho no dia após dia.

